Cavaleiros do Zodíaco
– O Conto de uma Terra Renascida –

Segunda Parte
– Revelações –

História Seis: O homem das asas douradas

A mensagem ainda ardia com brasas azuladas.

No portão tombado, a mensagem encontrava-se dividida entre as duas partes da porta. Juntando as partes apenas com a força de seu cosmo, Ícaros de Sagitário, cavaleiro de ouro, observa atentamente as palavras escritas em seu dialeto, o grego. Elas diziam:

A esperança é pouca para vocês, servos de Atena.
Eu, Mestre Ares da Guerra, dou-lhes este aviso:
O reino da Grécia a mim pertencerá, pois o céu a mim apóia.
Preparem-se para pagar pelo crime de seus irmãos.
Esparta aclama por vingança!

“Não entendo. O que fizemos? Não lembro de nada que tenha sido causado à Esparta por nossa parte. Mas o que ele quer dizer com isso?”, pensou. “Tem algo muito estranho acontecendo. Esse homem não veio atacar o Santuário à toa. Ele possuía a missão de passar essa mensagem adiante, para alguém que tenha importância aqui, para um cavaleiro de ouro. Mas por que? Ele ficou fazendo toda aquela encenação”, e olhando ao redor, “e não matou ninguém, só as feriu. Alguns casos mais graves, mas ainda sim… Ele tinha poder para matar qualquer cavaleiro de prata que desejasse, e seria uma luta e tanto contra mim. Com uma mensagem dessa, por que ele não começou logo a guerra? Nem que fosse apenas para intimidar… Pensando bem, todo esse estrago que ele fez com somente parte do seu cosmo já é uma intimidação. Isso demonstra que nosso inimigo é muito poderoso. Será que…? Não pode ser”.

Olhando para os soldados que se levantavam aos poucos, procurou por um cavaleiro ou por um supervisor geral da guarda, mas não encontrou ninguém. Estava pensando em chamar alguém, mas não havia superiores no local. Não até o momento. Vinha chegando, descendo da avenida principal que levava ao Portão Sagrado, um cavaleiro de prata com sua armadura bem vestida. Era um pouco baixo, não muito atraente, barba mal feita, e muito sonolento. Sua armadura brilhava de maneira metálica esverdeada com o bater das luzes fracas. Era forte, sua armadura tinha um aspecto rústico, quase sendo uma armadura de batalha completa. Olhando tudo apreensivo, não tinha certeza do que houve ou o que fazer, até que avistou o balançar da capa majestosa de mestre Ícaros.

- Meu senhor. – disse se aproximando – O que houve aqui? Senti um Cosmo muito poderoso, mesmo dormindo. Era alguém muito forte. O senhor o derrotou?

- Não, Portos de Hércules, não o derrotei. Ele fugiu, e deixou uma mensagem. Cavaleiro de prata, por favor, monitore os soldados. Passo o comando para o senhor. O inimigo não mais retornará por esta noite, tenho certeza. Necessito encontrar-me urgentemente com o Grande Mestre, agora. – e começou a andar apressadamente em direção ao Norte, rumo ao Relógio Zodiacal, de onde tomaria rumo para as Doze Casas.

- Mas, senhor. Acordar o Grande Mestre há essa hora. Seria considerado até mesmo crime contra uma autoridade.

- Não se preocupe comigo, Portos. Eu sei cuidar de mim sozinho. Além disso, já havia o acordado mais cedo…

Seguindo viagem, cada vez mais avistava outros cavaleiros de bronze se aproximarem para ajudar os feridos. Muita gente havia sofrido com os ataques. Umas duas ou três casas estavam prestes a desmoronar. Havia muito a ser feito agora, pois os portões do Santuário agora era uma recordação permanente da maestria de Ares, Senhor das Guerras.

- Tragam o senhor de Taças! – gritavam alguns que desciam em direção ao Portão.

Chegando a paz que havia na praça do Relógio Zodiacal, Ícaros observou que um homem não estava coerente naquele ambiente. Ele corria em direção as Doze Casas, de maneira desesperada. Havia algo de familiar naquele cosmo que emanava do homem. Era um cosmo ainda em treinamento, pouco aflorado, mas exausto. Ícaros pensou muito até que lembrou onde havia sentido aquele cosmo antes. Pertencia ao aprendiz do cavaleiro de bronze que estava lutando no cemitério. “Espere um pouco…”.

- Ei, você! – gritou para o homem que já estava quase sumindo de vista – Jovem aprendiz, espere!

O homem parou com o pé direito sobre o primeiro degrau da escadaria que levava até as dozes casas.

- Meu senhor! – estava exausto, quase não respirava direito, e veio em direção de Ícaros – Meu senhor! Imploro por sua ajuda.

- O que foi? Onde está o seu mestre? – perguntou tentando tranqüilizá-lo.

- Ele… ele está lutando contra um invasor, meu senhor. No cemitério dos cavaleiros mortos.

- Sim, eu senti a luta pouco antes de ir ao encontro de um segundo invasor. O que houve? Não sinto mais a fúria dos cosmos de nenhum dos combatentes.

- O quê!? Meu mestre precisa de mim… – e saiu correndo de volta ao cemitério.

Percebendo que a situação ali era mais grave, seguiu o aprendiz em direção ao cemitério. “Por Atena, que nada de ruim tenha ocorrido”, implorava o aprendiz. “Meu mestre estava perdendo a luta, e o senhor Ícaros de Sagitário afirma não mais sentir conflito algum. Que ele esteja bem, por favor, minha Senhora”.

Percorrendo as ruas desertas e silenciosas, os dois corriam em uma marcha muito apressada. Chegaram em frente ao cemitério, pularam os portões, caindo perfeitamente bem, e seguiram a procura do cavaleiro de Cão menor. Ícaros tentava encontrá-lo por seu cosmo, mas sua presença era muito fraca e ainda havia muita da energia explosiva que fora utilizada na batalha circundando todo o local. Com um pouco de procura, Ícaros observou uma mão ensangüentada caída sobre uma lápide mais ao longe.

- Ali! – apontou com o braço – Vamos.

- Mestre! – gritava Geord – Mestre! Por favor, minha Senhora. Mestre!

Quando chegaram ao local, avistaram caído o cavaleiro de bronze. Estava em péssimo estado, parecia não está respirando. Muito sangue havia escorrido de suas veias até seus orifícios, o que significava que recebera ataques ressonânticos graves, pois não havia hematomas em nenhum dos ferimentos. Ícaros precisava agir rápido, a vida de Orrin dependia dele.

- Ele vai ficar bom? – perguntou choramingando o grandalhão do Geord.

- Vai, vai sim. Com os tratamentos médicos adequados. Ele perdeu muito sangue, precisa de ajuda imediata. Diga: você viu quem ele estava enfrentando?

- Sim. Era uma espécie de “amazona morcego”. Era uma armadura não presente nas constelações. Mas…

- Sim, eu sei, o seu mestre. Pois bem, tenho que acertar seus pontos vitais para estancar o sangramento, se não ele morre antes de ser tratado. – levantando-se, expeliu um pouco de seu cosmo, fazendo a armadura do cavaleiro ficar totalmente montada ao lado de Geord, formando um pequeno cão pastor. – Agora, a constelação de Cão Menor tem como pontos vitais…

Aplicando dois golpes apenas com um dedo, acertou um no ombro esquerdo e um na coxa direita de Orrin. Sentindo os golpes, ele se contorceu um pouco de dor, mas todos os ferimentos param de sangrar.

- Pronto. Agora vamos levá-lo para o senhor de Taças. Ele deve está ocupado com os feridos da entrada, mas esse caso aqui é mais grave e urgente.