Chutando pro alto

O Shingowatanabe, lendário mestre de Kanujutsu, trouxe da gringa algumas perguntas bastante pertinentes sobre a visão que nós, mothafocka blogueiros rpgisticos, teríamos sobre o futuro do RPG no Brasil. Bem, eu considero minha opinião sobre isso totalmente furada, mas valá, vamos ver até onde chutar sem errar feio… Se estou certo, só o tempo dirá.

Quais jogos você vê que surgirão atraindo um grande número de jogadores em um futuro próximo?

Atualmente, eu aposto mesmo na 4E de Dungeons and Dragons para atrair novos jogadores. Essa “volta pro lúdico” do jogo, com tabuleiros e uso de miniaturas atrai visualmente muito mais um público acostumado a jogos de mesa do que a liberdade total de imaginação que o RPG acaba criando.

Porém, com toda essa problemática de improviso nas minis (sempre me soa como um jogo que vem faltando peças pro comprador) talvez a coisa toda empaque um pouco. A volta do 3D&T na versão Alpha pela Jambô também promete uma linha bacana para quem curte um jogo leve. Sempre achei um ótimo sistema pra quem não tem muito compromisso com o jogo.

Quais companhias nós devemos ficar de olho, pois lançarão o próximo grande produto do mercado?

Seria suspeito não apontar a Jambô atualmente. Apesar de ainda ser uma editora pequena, ela está caminhando com passos firmes e com uma visão empreendedora de negócio. A Devir Livraria que foi a última gigante a aguentar as pontas do RPG no país está igualmente passando por uma reestruturação tentando perder a fama de que não tem amigos, slogan dos descontentes desde 2006.

O quanto a tecnologia estará integrada com o RPG?

Creio que daqui pra frente cada vez mais o RPG precisa ficar longe da tecnologia. A integração com o virtual, com mesas on-line e tudo o mais é bacana, mas está fadada ao fracasso. Dentro de alguns anos, jogar em mesas on-line do tipo “RPGChat” vai se transformar em uma modalidade de MMO onde o mestre tem controle de um jogo, e os nossos “jogos-texto” de hoje vão acabar mais ou menos na mesma linha que os MUDs, os labirintos de texto do passado.

Na minha opinião o RPG precisa se estabelecer enfim como jogo social, atrativo para qualquer tipo de pessoa que deseje, numa tarde qualquer, sentar numa mesa e jogar alguma coisa. Algo como “Hei, vamos jogar War? Ou D&D?” Yep. Sou adepto do “Hey, vamos explorar uma dungeon”. Um jogo que precise de horas de preparação pra funcionar não é um jogo viável pra maior parte dos seres humanos da Terra.

Qual escritor da industria nós precisamos estar de olho?

Falando de Brasil, sem dúvida o Leonel Caldela. Sem desmerecer qualquer outro autor que tenha surgido nesse meio tempo, mas em termos de texto e criatividade ele está mandando muito bem. Não é pra menos que seus títulos estão vendendo em meio a “criiiiiseee

Quais blogs você vê que crescerão e se tornarão os próximos grandes?

Bem, na real não temos blogs grandes no Brasil. Salvo engano, nenhum dos nossos compadres aqui pode ser considerado um blogueiro de destaque, ganhando alguma coisa além de satisfação pessoal. Por isso, acho que todo mundo está no páreo. Mas, como não estamos falando de achismos,creio que estão mais próximos disso:

  • O dot20 pela proposta de “eu quero, quero, quero bombar“;
  • O Área Cinza porque o Rocha manda bem;
  • O Pensotopia, que está criando uma boa matéria atrás da outra; e o
  • PopDice, por motivos semelhantes ao dot20.

E o Inominattus, perguntam vocês? Bem, a nossa praia é outra. Inomine é coração de mãe ;D

O que você vê como o futuro da industria?

Bem, creio que já demonstrei minha opinião. Estamos numa época onde ou você defeca ou sai da moita. Cada vez mais, produz-se material de qualidade gratuito, e o que deveria ser pago acaba invariavelmente vazando na internet, ficando dessa forma gratuito também. As empresas que vendem RPG precisam entender que o jogador não está comprando livros, está comprando oportunidades de divertir-se com um jogo.

Ele não está mais interessado em pagar oitenta contos pra saber como funciona o sistema digestivo de um elfo. Ou você cria material útil de jogo, ou…

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