Cavaleiros do Zodíaco
– O Conto de uma Terra Renascida –

Terceira Parte
– Cães e Taças –

História Quatore: O homem de alma pura

A noite não era mais a mesma.

Lado a lado, Orrin e Serafim observavam seus adversários distantes um do outro. Foi fácil perceber que quem dava as ordens ali era Adrienne de Morcego, enquanto que Than de Tubarão apenas fazia o que era mandado fazer. A amazona foi saindo de dentro d’água contendo a raiva que sentia pelos dois cavaleiros de Atena. Ela olhou para Than discretamente, sinalizando algo que haviam combinado. Observou os adversários com um pouco de desdém, provocando-os para poder se aproveitar disso.

- Muito bom. – disse ela olhando para Serafim – Sei que é um dos mais poderosos guerreiros do Santuário, mas não imaginava que suas técnicas poderiam ferir alguém. É algo que merece elogio, mas ainda sim não me causou nenhum ferimento. Usar de minhas técnicas contra mim mesma é algo tolo da sua parte. Deveria ter aprendido isso com seu amigo.

- Saiba que até um curandeiro precisa saber machucar às vezes – falou retribuindo o olhar sarcástico feito pela amazona.

Ficando um pouco mais enfurecida, e não se preocupando mais em deixar isso à mostra, ela tomou impulso com o corpo e asas e voou na direção dos adversários. “Nada disso”, pensou Orrin. “Sua luta será comigo”. E pondo-se à frente de Serafim, Orrin entrou em confronto direto Adrienne.

Impacto causado pelas investidas foi fenomenal, e ganho por Orrin, que acertou um poderoso ataque no estômago de Adrienne. Eles começaram a se confrontar fisicamente, acertando e defendendo-se de ataques poderosos. A luta encontrava-se em um alto nível de velocidade, mal dava para enxergar os movimentos de ambos. Adrienne conseguia não só usar as mãos e pernas no confronto como também suas asas com garras nas pontas conseguiam atacar, dando ainda mais trabalho para Orrin.

Serafim, que já esperava pela investida de Orrin para confrontar a amazona, apenas virou na direção do cavaleiro de Tubarão. Esse se encontrava em nenhuma posição de batalha, apenas esperava pela aproximação de Serafim, com um sorriso nos lábios. Obedecendo ao chamado, Serafim retirou sua túnica, revelando a imponente armadura prateada de sua constelação. Aos poucos, ele foi ganhando velocidade em seu andar até se mover em tal velocidade que se tornou apenas um borrão se deslocando no ar.

O cavaleiro de Tubarão já esperava por isso. Intensificando seu sorriso, desviou o corpo um pouco para o lado esquerdo e ergueu seu punho direito no ar. Uma das barbatanas da armadura que esse punho possuía era voltada para fora. Serafim reapareceu quando desferiu um poderoso soco no peito do homem, que apenas se mexeu um pouco por causa do impacto. O homem apenas sorriu malignamente para Serafim, que impressionado pela resistência do homem, apenas pode observar o movimento que ele estava desempenhando. Foi tudo muito rápido.

- SHARK DESTRUCTION! – gritou o homem.

Causando dano as costas do adversário, o punho do Tubarão perfurou a armadura de prata de Taças e acertou a carne, dilacerando-a em sangue. Serafim apenas recebeu o terrível ataque, sendo jogado contra o chão quase imediatamente. Quando bateu na areia, seu corpo subiu um pouco, o suficiente para que Than aplica-se um poderoso chute contra o rosto do cavaleiro. Taças apenas voou bem alto, caindo metros a frente.

- Tolo! – disse Than – Achei que os Cavaleiros de Prata fossem mais fortes. Pelo que percebo, enganei-me.

Levantando-se com dificuldade devido o golpe recebido, Serafim tossiu muito sangue. Estando de pé, limpou a boca com o antebraço da armadura e apenas sorriu para Than. Desconfiado, Tubarão adotou uma posição de ataque parcialmente agachada e veio em investida contra Serafim.

- Se você ainda não morreu, deixe-me levá-lo para o Tártaro. Despedace-se com ataque mais poderoso do guerreiro de Tubarão, SHARK WHIRL! – gritou Than dando um poderoso salto.

Um redemoinho de areia se formou ao redor do cavaleiro, encobrindo-o completamente. Serafim apenas esperou pela aproximação do tornado de areia. Pondo-se rapidamente na ofensiva, ele deu um rápido impulso com as pernas e desferiu um ataque juntando as mãos para formar o vasilhame de Taças, acertando-o exatamente no meio do redemoinho onde se encontrava encoberto o cavaleiro de Tubarão.

- Sofra com as minhas mãos santificadas. Esse é o mais poderoso ataque do cavaleiro de Taças, PRISMATIC BURST! – gritou Serafim.

De suas mãos unidas saiu raio de diversas cores, uma espécie de arco-íris em forma de ataque. O raio de Serafim acertou em cheio o redemoinho, perfurando-o em seu meio. Por um instante, o cavaleiro de Tubarão parou no ar com o ataque, entretanto começou a seguir uma trajetória contrária a que seguia. Sentindo todo o corpo sendo despedaçado, Than viu que seu redemoinho havia adotado uma rotação contrária, acertando-o em cheio. Dois ataques combinados. Than caiu no chão totalmente despedaçado, sua armadura havia virado apenas fragmentos.

- Seus dois ataques são muito bons, particularmente seu segundo é devastador. Ficarei com dor nas costas por um longo tempo, além de ter que consertar minha armadura. – falava isso enquanto seguia na direção do seu oponente derrotado – Entretanto, foi tolo ao acreditar que meu primeiro ataque não o afetaria. Pode não ter sentido inicialmente, mas ele comprometeu seriamente sua força de impacto. É muito provável que eu tivesse desmaiado ao seu ataque em minhas costas, mas não foi o que aconteceu. Quanto ao seu ataque-redemoinho: nenhum ataque funciona duas vezes contra um mesmo cavaleiro, ainda mais quando está debilitado em velocidade. Apenas precisei lançar um ataque mais rápido e mais forte em seu eixo de rotação para mudar toda a rotação do ataque, e ao invés de sair, a rotação seguiu entrando, estraçalhando você com o seu próprio ataque, juntamente com o meu.

Finalmente chegando até o cavaleiro que jazia no chão, Serafim olhou-o de cima, mas não possuía um olhar feliz. Estava com um olhar deprimido, triste ao ter que lutar.

- Você teria sido um ótimo lutador, um verdadeiro cavaleiro, mas não me concedeu escolhas e seu estado é irreversível. Perdoe-me.

Virando-se, Serafim deixou Than para trás. Sabia qual era o destino daquele homem agora. “Vá com os deuses, Than de Tubarão. Que o barqueiro o guie bem até o Tártaro”. Uma lágrima solitária desceu pelo rosto machucado do homem. “Os filhos de Esparta não deveriam possuir tal destino. Eu sei bem disso…”.